quarta-feira, 2 de outubro de 2013

ENTREVISTA DA SEMANA - JOÃO BELES SOBRE NATUROPATIA

A Bio Coaching teve o prazer de falar com o Dr. João Beles, naturopata, professor no Instituto de Medicina Tradicional e autor do livro "Naturopatia: A Natureza Cura a Natureza." Ficamos a saber que os brócolos são um super-alimento, que a naturopatia é de facto uma medicina ecológica e também o que comer no dia-a-dia para vivermos melhor!



Bio Coaching - Como descreveria a naturopatia?

João Beles – A naturopatia é uma terapia que está inserida nas medicinas naturais ou complementares, reconhecidas pela OMS como terapias complementares e/ou alternativas. É uma área já bastante desenvolvida e reconhecida, entre outras coisas, por ser recomendada pela OMS. Dentro dessas medicinas complementares a naturopatia tem uma identidade própria, tem uma forma de actuação específica. Distingue-se das outras medicinas alternativas porque usa plantas medicinais, utiliza vitaminas, minerais e outros suplementos alimentares como principais armas terapêuticas para tratar as patologias.

BC - Diria que a Naturopatia é mais preventiva do que a medicina convencional?

JB – Sim, porque é menos “medicina de urgência”. Mas há patologias que estão entre a medicina de urgência e a medicina preventiva, como são exemplo a asma crónica, a dor reumática, para as quais a naturopatia tem respostas tão ou mais eficazes do que a medicina convencional, sem causar os efeitos secundários que se conhecem dos medicamentos.

BC - Em termos de impacto ambiental, comparando com a medicina convencional associada à indústria farmacêutica, quais são as vantagens da Naturopatia?

JB – Sendo que a grande base para a fabricação dos medicamentos é a indústria petroquímica, uma indústria extremamente poluente que causa no planeta o impacto negativo que todos sabemos, a Naturopatia tem a enorme vantagem de utilizar plantas medicinais, cada vez mais cultivadas de forma biológica; é também uma medicina que promove a manutenção de várias espécies de plantas medicinais que poderiam até vir a extinguir-se se não continuassem a ser plantadas para fins medicinais. Não existem empresas que colham as plantas no seu habitat natural, havendo assim uma preservação desse habitat; há uma preocupação em que haja campos específicos para esses cultivos e em tornar esses cultivos cada vez mais variados. A quantidade de plantas medicinais que temos ao nosso dispor é hoje em dia cada vez maior do que há uns anos atrás porque também há cada vez mais pessoas a cultivá-las. 



BC - Uma frase atribuída a Hipócrates e recorrente em todas as pesquisas que fizemos sobre Naturopatia foi “Faça do seu alimento o seu medicamento”. 
Existe algum alimento que, como naturopata, desaconselhe totalmente?

JB – Em relação aos alimentos, há uma questão muito importante: o naturopata prescreve alimentos não como um nutricionista (que o faz através de um plano alimentar que visa por exemplo reduzir o consumo de calorias) mas tendo em conta que existem muitos alimentos com acção terapêutica comprovada cientificamente. Por exemplo os brócolos, têm um componente, que é o 3 indol carbinol, que se sabe através de variados estudos clínicos ter um papel fundamental na prevenção de vários tipos de cancro; então o naturopata pode por exemplo dizer a um paciente que tenha na família casos de cancro desse tipo, ou que esteja a fazer quimioterapia para combater esse tipo de cancro (da mama, próstata ou pâncreas, por exemplo), para comer muitos brócolos, porque os brócolos têm um efeito terapêutico. Isto nada tem a ver com aquele conceito de “dietas”, em vez disso é como se estivéssemos efectivamente a prescrever os brócolos. E vamos também tentar eliminar do consumo alimentos que sabemos que podem causar certo tipo de doenças.

BC - E esse aconselhamento vai variando de paciente para paciente ou existe uma linha comum, ou alimentos que ninguém deva consumir?

JB – Vai variando de pessoa para pessoa, mas, por exemplo, a um asmático eu diria para reduzir ou deixar de consumir laticínios, porque sabemos que a lactose pode provocar reacções alérgicas, principalmente em pessoas já com propensão para as mesmas. 

BC - Agora em relação aos seus pacientes, que percentagem deles diria que têm consciência da verdadeira origem dos seus problemas de saúde?

JB – O paciente que procura a naturopatia é um paciente que já vem informado, já pesquisou e já leu bastante sobre o assunto e que já recorre a esta terapia há alguns anos. Tenho pacientes que já recorreriam ao Dr. Indiveri Colucci, um naturopata reconhecido e com dezenas de anos de prática, já falecido. Há já uma História muito boa na Naturopatia em Portugal, felizmente... Outros pacientes já leram mais recentemente algum artigo sobre o tema, ou estão informados sobre o reconhecimento legal (em 2003 já tinha havido, mas mais recentemente houve a confirmação) do Estado Português e neste sentido tem havido pessoas que aparecem nas consultas pela primeira vez mas também já com um conhecimento médio-alto  do conceito da naturopatia.



BC - Para terminar gostariamos de saber quais são os rituais diários que aconselha para uma manutenção correcta da saúde individual.

JB – Recomendo que ao pequeno-almoço comam cereais integrais, principalmente de aveia, muesli de aveia, frutos vermelhos, frutos secos, iogurte de soja, leite de soja, aveia ou arroz, já constituem por si só uma primeira refeição do dia super-saudável. Nada que seja de origem animal. Ao almoço aconselho a variarem ao máximo a alimentação; aos que quiserem deixar de comer carne, podem fazê-lo, é saudável; a quem quiser comer carne eu aconselho a fazerem-no 1 vez por semana, sendo que os estudos que mostraram que a carne é prejudicial foram feitos em pessoas que comem em média 140 g de carne por dia...nesse sentido não há estudos que me digam que comer carne 1 vez por semana não é saudável. Com os meus pacientes também não sou extremista, se quiserem deixar de comer carne, melhor, porque ela não nos traz saúde. Em relação ao peixe deixo ao critério de cada um, porque contém vários ácidos gordos que podem ser benéficos principalmente no peixe cru, no sushi que tanta gente come, uma vez que nestes casos o calor não vai degradar os ácidos gordos e acaba por ser mais saudável do que o peixe que consumimos cozinhado. Ao lanche aconselho pão integral ou de centeio, compota de frutos vermelhos sem açúcar (os frutos vermelhos são neste momento imbatíveis a nível anti-oxidante). O jantar aconselho que seja sempre leve, pode ser uma sopa, para quem se aguenta bem sem fome o resto da noite, ou uma salada. É bom consumirmos de vez em quando algas, que são riquíssimas em proteínas e ajudam a ficarmos sem fome toda a noite. Desta forma acredito que podemos ser saudáveis durante muitos e bons anos!


Para consultas de Naturopatia com João Beles os contactos são:
Lisboa - 213161851
Faro - 289889560


contactos Bio Coaching para parcerias, sugestões e dúvidas: biocoaching.portugal@gmail.com

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